Pular para o conteúdo
Mountain Bike » O que todo iniciante deve evitar ao começar a pedalar

O que todo iniciante deve evitar ao começar a pedalar

Saber o que evitar ao começar a pedalar poupa dinheiro e retrabalho, e quase tudo se resolve na própria bicicleta: um modelo coerente com o terreno, o tamanho certo de quadro, banco e guidão regulados, parafusos e pedais firmes, freios, pneus e corrente em dia. Este guia trata só dessa parte, a do equipamento e do uso básico da bike, com o erro e a correção em cada seção.

Se você ainda não comprou, vale ler antes o ranking das melhores bicicletas para iniciantes. Para os ajustes que merecem um passo a passo próprio, o texto aponta guias específicos do site em vez de repetir tudo aqui.

Que tipo de bicicleta combina com o seu uso?

O primeiro erro é comprar pela promoção, sem olhar o terreno onde a bike vai rodar. Uma mountain bike rende bem em trilhas, mas pode ser pesada demais para uso só na cidade. Já a speed é rápida no asfalto e desconfortável em vias irregulares. Por isso, antes de olhar preço, defina se o uso será lazer, deslocamento diário ou trilha.

Os nomes dos modelos também dizem algo concreto. Segundo a Wikipédia, os pneus da mountain bike são mais largos que os da bicicleta de estrada, em geral acima de 1,5 polegada, o que dá aderência em terra e lama. As versões rígidas, com ou sem amortecimento só na frente, são chamadas de hardtail, e as que amortecem também atrás são as full suspension. Entre os dois extremos ficam os modelos híbridos, urbanos e dobráveis, cada um com uma finalidade.

Olhe ainda o tipo de freio. A Wikipédia descreve o freio de aro, em que pastilhas de borracha apertam a roda, o freio a disco, com um disco no cubo da roda, e o freio contrapedal, ligado ao mecanismo dos pedais. Sempre que possível, teste a bicicleta antes de pagar, porque nenhuma ficha técnica substitui subir nela.

Como acertar o tamanho do quadro antes de comprar?

O tamanho do quadro é um dos pontos mais ignorados, e regulagem nenhuma conserta um quadro muito fora da medida. O guia sobre como escolher o tamanho do quadro da bicicleta traz o método completo, e aqui ficam só as ideias principais.

Pela regra tradicional, relatada por Sheldon Brown, bastava sobrar uma ou duas polegadas (de 2,5 a 5 cm) entre o tubo superior e o corpo de quem está em pé sobre a bike. O próprio autor lembra que a altura do movimento central varia de cerca de 10,5 a 13 polegadas (de 27 a 33 cm), e por isso dois quadros de mesma medida podem dar folgas diferentes.

Ele defende que o comprimento do tubo superior diz mais sobre o encaixe do que a medida do tubo do selim, já que os fabricantes medem esta última de jeitos diversos. Canotes de 250 a 300 mm corrigem a altura do banco, e a mesa do guidão acerta o alcance, tudo dentro de limites razoáveis. Quando a diferença é grande, a solução é trocar de tamanho, não de ajuste.

O que evitar ao começar a pedalar na regulagem do banco?

Subir na bike e sair pedalando sem ajustar nada é o erro clássico. O banco, ou selim, tem três regulagens: altura, inclinação e posição para a frente e para trás.

Segundo Sheldon Brown, a maioria dos ciclistas deixa o selim baixo demais. Ele recomenda subir em passos de cerca de meia polegada (1,3 cm) e rodar alguns quilômetros antes de mexer de novo. Se o selim estiver alto demais, o quadril passa a balançar de um lado para o outro a cada pedalada, sinal de que é hora de descer um pouco.

Ao erguer o banco, confira a marca de inserção mínima do canote. A marca fica gravada perto da base do canote e não pode ficar visível acima do tubo do quadro com o banco instalado.

Quanto à inclinação, o selim fica quase na horizontal, e ângulos extremos devem ser evitados. Para a posição horizontal, Sheldon Brown indica que, com as pedivelas na posição paralela ao chão, o joelho fique sobre o eixo do pedal. Ele também avisa que mover o selim não corrige um guidão longe demais, e que excesso de enchimento não ajuda, porque cede com o peso e o desconforto continua. A largura deve acompanhar a distância entre os ossos de sentar.

Como ajustar a altura e a posição do guidão?

Guidão fora de lugar costuma vir da pressa da primeira regulagem. Em bikes com mesa sem rosca, tipo threadless, o passo a passo publicado pela BikeRadar começa afrouxando igualmente os parafusos de aperto na parte de trás da mesa. Basta folgar, sem retirar. Depois de escolher a altura, recoloque a tampa superior e aperte o parafuso até sentir resistência, porque ele pré-carrega os rolamentos da caixa de direção.

Alinhe a mesa com a roda dianteira, para o guidão formar ângulo reto com ela. Em seguida, aperte os parafusos da mesa em etapas e de forma uniforme, com o torque indicado pelo fabricante. A BikeRadar cita valores que ficam muitas vezes entre 5 e 8 Nm, mas vale o número gravado na peça ou no manual.

Para conferir o resultado, segure o freio dianteiro, apoie uma das mãos na caixa de direção e balance o guidão no sentido do movimento da bike. Se você sentir o tubo mexer dentro da caixa, o ajuste ainda não está bom. Para quem quer afinar tudo isso com mais precisão, existe o bike fit profissional. No começo, porém, ajustes simples feitos em casa já cobrem o básico.

Pedais, pedivelas e parafusos: o que conferir?

Os pedais não são iguais. Sheldon Brown explica que o pedal direito tem rosca comum, mas o esquerdo tem rosca invertida, projetada para compensar um movimento que faria o pedal se soltar durante o uso. A regra prática dele é girar o eixo do pedal no sentido em que se pedala para instalá-lo. Forçar um pedal no lado errado pode danificar a rosca.

Peças soltas também aparecem nas pedivelas. A checagem recomendada pela Cascade Bicycle Club é tentar mover os braços da pedivela para os lados, afastando-os do quadro. Se houver folga, a pedivela precisa de aperto. A mesma lista pede que todos os engates rápidos estejam bem fechados antes de cada saída.

Aproveite para passar a mão por parafusos de mesa, canote e banco sempre que regular algo. Aperto firme e uniforme resolve, e força exagerada pode danificar peças de plástico ou alumínio.

Como deixar os freios no ponto?

Freio desregulado é sinal claro de manutenção deixada para depois. Segundo a Cascade, a alavanca deve manter pelo menos uma polegada (2,5 cm) de espaço até o guidão quando o freio é acionado, e as pastilhas precisam alinhar com o aro. Se a alavanca encosta no guidão, o freio pede ajuste.

Nos freios de aro, Sheldon Brown ensina que a ponta dianteira da sapata deve tocar o aro um pouco antes da traseira, a chamada convergência. Também importa a altura: a sapata alta demais raspa no pneu e o destrói rápido, e a baixa demais pode escorregar para baixo do aro e se prender nos raios. Ele relata a técnica da Shimano de deixar o ajustador do cabo de 2 a 3 mm antes de fechado ao posicionar as sapatas, para depois fechar o ajustador e afastar as sapatas do aro.

Muitos problemas, diz o mesmo autor, nascem de atrito nos cabos ou de instalação ruim, e não do freio. Aros modernos trazem um pequeno furo em cada lateral como limite de desgaste, e quando esses furos somem o aro deve ser trocado. Em freios a disco o ajuste é diferente, então siga o manual da marca da sua bike.

Como usar as marchas sem castigar a transmissão?

Pedalar sempre na mesma marcha é outro erro frequente, já que o câmbio existe para facilitar. Marchas leves ajudam em subidas, e marchas mais pesadas dão controle e eficiência em descidas. Sheldon Brown acrescenta que a corrente só muda de marcha enquanto você pedala para a frente, por isso o certo é continuar pedalando enquanto troca.

Há ainda as combinações extremas. Ele pede para evitar as marchas em que a corrente cruza num ângulo exagerado, porque desgastam corrente e coroas. A pior, diz o texto, é juntar a coroa pequena com o pinhão pequeno, uma combinação ruidosa e ineficiente que desgasta a corrente mais cedo.

Marchas leves também permitem girar as pernas mais rápido com menos força por pedalada, outro argumento do mesmo texto contra empurrar marchas pesadas em ritmo lento. No começo a troca parece confusa.

Pneus: o que evitar na calibragem?

Pneu murcho é o problema mais simples de evitar. Sheldon Brown lembra que a lateral do pneu traz uma pressão máxima ou uma faixa recomendada, e que um pneu com pouco ar rola com mais esforço, tende a perfurar por beliscão e pode até sair do aro numa curva. Os pneus mais largos são mais resistentes a esse tipo de furo, e quem pesa mais precisa de mais pressão para o mesmo pneu.

Antes de sair, aperte cada pneu com os dedos para ver se está mole, como sugere o mesmo site. Descubra o tipo de válvula da sua bike e leve uma bomba compatível. As perguntas frequentes no fim do texto trazem os tipos de válvula e o que levar para trocar uma câmara.

Como lubrificar a corrente?

Corrente seca é a falha mais fácil de notar e uma das mais baratas de corrigir. A Park Tool manda aplicar uma gota pequena em cada pino da corrente, usando um lubrificante próprio para esse fim, e só depois que a corrente foi limpa e secou. Em seguida, passe um pano limpo e seco para tirar o excesso, porque ele junta sujeira.

Para saber se ela precisa de atenção, a Cascade sugere olhar a corrente: ela deve parecer metal, sem ferrugem nem borra preta. Também vale girar os pedais para trás e ver se a corrente anda de modo suave.

Que checagem fazer antes de cada pedal?

Uma rotina curta reúne tudo o que foi visto. A Cascade chama de ABC e fecha com um teste lento nos primeiros metros, para ver se a bike responde bem antes de ganhar ritmo.

  • Pneus firmes ao toque.
  • Alavancas de freio com folga em relação ao guidão.
  • Pedivelas, parafusos e engates rápidos sem folga.
  • Corrente com aspecto de metal e girando sem engasgar.

Que equipamento extra e planejamento de rota valem a pena?

Luzes dianteira e traseira entram na lista de equipamentos básicos para quem pedala de manhã cedo ou à noite. Óculos ajudam contra insetos e poeira.

Sair sem rota é outro deslize comum. Aplicativos como o Strava, o Komoot e o Google Maps no modo bicicleta ajudam a montar o trajeto e a evitar subidas longas demais. Priorizar ciclovias e bairros tranquilos nos primeiros pedais deixa a experiência mais leve.

Vale gastar com equipamento avançado logo no começo?

Não. Equipamento caro não compensa falta de prática, e começar com itens adequados ao seu nível é mais inteligente no bolso e na prática. Conforme você aprende o que sente falta, os upgrades passam a fazer sentido, como trocar pneus, banco ou pedais.

Para comparar opções em faixas de preço razoáveis, veja o ranking de melhor bicicleta ergométrica custo-benefício, se o seu caso for equipamento fixo de casa. Se for bicicleta de rua, o guia das melhores bicicletas para iniciantes já citado acima continua sendo o ponto de partida.

E se a bicicleta for ergométrica?

Parte do que vimos vale também para bike fixa: banco e guidão regulados, parafusos firmes, pedais no lado certo, base nivelada.

Para ver modelos analisados, comece pelas melhores bicicletas ergométricas ou leia a análise de um modelo específico, como a bicicleta ergométrica Sevenfit.

Conclusão: o que evitar ao começar a pedalar se resume a quatro hábitos

Quem entende o que evitar ao começar a pedalar costuma errar menos nas escolhas e gasta menos com conserto. Os hábitos se resumem a escolher o modelo pelo uso, ajustar a bike ao corpo, conferir parafusos, pedais e freios antes de sair e manter pneus e corrente em dia.

Nada disso exige ferramenta cara nem experiência anterior, só atenção na hora de regular e uma checagem rápida a cada saída. Se ainda falta escolher a bike, volte às melhores bicicletas para iniciantes e compare os modelos com calma.

Perguntas frequentes sobre o que evitar ao começar a pedalar

Qual a diferença entre válvula Presta e Schrader? A Schrader é a válvula de estilo automotivo. A Presta é mais leve e feita para alta pressão, e há ainda a Woods/Dunlop, padrão europeu antigo. Confira o tipo na sua câmara antes de comprar bomba ou adaptador.

Com que frequência devo checar a pressão dos pneus? Sheldon Brown recomenda conferir a pressão pelo menos uma vez por semana em pneus de alta pressão. Antes de cada saída, o teste de apertar o pneu com os dedos já mostra se ele está mole.

Quando trocar as pastilhas de freio? A Cascade indica que, com menos de 1/8 de polegada (cerca de 3 mm) de pastilha restante, ela provavelmente precisa ser trocada. Nos freios de aro, olhe também os furos de desgaste na lateral do aro.

O que levar para consertar um furo? Sheldon Brown lista uma câmara de reserva, um kit de remendos e espátulas de pneu, que costumam vir em jogo de três. A bomba entra na lista para encher a câmara depois da troca.

Posso usar óleo em vez de graxa nas roscas do pedal? Segundo Sheldon Brown, as roscas devem ser lubrificadas com graxa ou, no mínimo, com óleo, o que ajuda a evitar que o pedal trave na pedivela. Aplique antes de rosquear.

Viva bem, tenha Saúde e seja Feliz!

Marcos Jolbert
Marcos Jolbert

Sou especialista em bicicletas ergométricas, ciclismo e MTB, com foco em análise técnica, comparativos objetivos e orientação prática para treinos em casa e atividades ao ar livre. No portal Bem Mais Ativo, aplico conhecimento técnico aliado à experiência prática para avaliar desempenho, ergonomia, resistência e custo-benefício dos equipamentos, sempre com linguagem clara e informação confiável. Meu trabalho é ajudar pessoas a fazerem escolhas seguras, eficientes e alinhadas a uma rotina ativa, saudável e sustentável.

Saiba Mais

Não é possível comentar.